Joanesburgo – A líder do movimento sul-africano March and March, Jacinta Ngobese-Zuma, está no centro de uma nova controvérsia após alegadamente defender que mulheres sul-africanas que tenham filhos com imigrantes também deveriam deixar o país.
As declarações, que circulam nas redes sociais e em diferentes plataformas digitais, provocaram fortes reações entre ativistas, organizações de direitos humanos e membros da sociedade civil, que consideram a posição discriminatória e contrária aos princípios constitucionais da África do Sul.
O movimento March and March tem liderado manifestações contra a imigração ilegal, defendendo o reforço do controlo fronteiriço e a deportação de estrangeiros em situação irregular. Nas últimas semanas, o grupo ganhou destaque devido às marchas realizadas em várias cidades sul-africanas, num contexto de crescente tensão em torno da imigração.
Críticos afirmam que declarações desta natureza podem alimentar sentimentos xenófobos e aumentar a divisão social no país, enquanto apoiantes do movimento argumentam que as medidas propostas visam proteger oportunidades e recursos para os cidadãos sul-africanos.
Até ao momento, não houve qualquer anúncio oficial do Governo sul-africano indicando apoio a propostas de expulsão de cidadãos sul-africanos com base nos seus relacionamentos ou descendência. A Constituição da África do Sul garante a cidadania e os direitos fundamentais dos seus cidadãos, independentemente da origem dos seus familiares.
A polémica surge numa altura em que o debate sobre imigração continua a dominar a agenda pública sul-africana, com o Presidente Cyril Ramaphosa e várias organizações a apelarem ao respeito pela lei e à rejeição de ações de justiça pelas próprias mãos.
