A crescente onda de tensão em torno da imigração na África do Sul continua a provocar debates e preocupações. Nas últimas semanas, apoiantes do movimento anti-imigração conhecido como March & March realizaram manifestações e ações comunitárias em várias cidades, incluindo Joanesburgo, Pretória e Durban.
Segundo relatos da imprensa sul-africana, alguns grupos ligados ao movimento têm sido acusados de realizar verificações informais de documentos e visitas a bairros onde residem cidadãos estrangeiros, uma prática que organizações de direitos humanos consideram ilegal e preocupante. Autoridades sul-africanas têm reiterado que apenas os órgãos do Estado possuem competência para fiscalizar o estatuto migratório das pessoas.
Nas redes sociais circulam alegações de que proprietários que alugam quartos ou anexos a imigrantes estariam a ser pressionados ou ameaçados com supostas “multas” impostas por grupos civis. No entanto, não há evidências de que tais multas tenham qualquer valor legal. Pelo contrário, as autoridades lembram que a aplicação de sanções cabe exclusivamente ao Estado e aos órgãos competentes.
A tensão aumentou após manifestações nacionais contra a imigração irregular realizadas no final de junho. Embora algumas ações tenham decorrido de forma pacífica, também foram registados episódios de intimidação, confrontos e denúncias de ataques contra cidadãos estrangeiros em determinadas localidades.
O Governo sul-africano tem apelado à calma e advertido que ninguém deve tomar a lei nas próprias mãos. O Presidente Cyril Ramaphosa e outras autoridades defenderam o reforço do controlo migratório através dos mecanismos legais existentes, ao mesmo tempo que condenaram atos de vigilância e perseguição realizados por grupos particulares.
A situação continua a ser acompanhada com atenção por vários países africanos, incluindo Moçambique, devido ao elevado número de cidadãos moçambicanos que vivem e trabalham na África do Sul.
